segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cultura em pauta e em risco

Hoje, a partir das 19h nos jardins internos do Palácio das Artes, acontecerá uma manifestação pública, ampla e irrestrita para pressionar e reverter os acontecimentos recentes que penalizam importantes projetos culturais em desenvolvimento no Estado, como o Programa Música Minas e os novos Pontos de Cultura aprovados em edital público ano passado. Somente esses dois projetos significam um prejuízo de 20 milhões para o setor.

Todos os envolvidos repudiam o posicionamento da Secretaria de Estado de Cultura ao acatar uma interpretação equivocada da Lei Eleitoral e descontinuar ações fundamentais para o desenvolvimento social e cultural do Estado. Reivindicam a continuidade dos projetos, uma vez que eles não apresentam quaisquer possibilidades de interferência no pleito eleitoral, como reza a Lei em questão. Reivindicam também a estruturação de uma política de Estado para o setor cultural, com a devida formalização dos atuais programas específicos de cada setor, como o Cena Minas, o Filme em Minas e o Música Minas com dotação orçamentária própria.

É realmente frustrante esse cenário no qual verbas destinadas a programas culturais estão emperradas por conta de restrições do TSE e entraves burocráticos locais. A iniciativa de promover uma reunião organizada é excelente, na medida em que se trata de um quadro grave e com inúmeros imbróglios dos quais nascem mais problemas ainda e que nós nem sonhamos em saber de tudo. Uma vergonha, sem tirar e nem por mais nada.

Bom seria se aqui fosse como em Rio das Ostras, donde a Prefeitura, desde 2003, criou e oficializou o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival no calendário oficial de eventos da cidade. Bons exemplos não são apenas para serem admirados!

Portanto, a quem interessar possa:

Onde: Jardins Internos do Palácio das Artes
Quando: Segunda-feira dia 31 de maio a partir das 19h
Fórum da Música de Minas
Entidades do Setor Mineiro do Audiovisual
Fórum Nova Cena
MTG - Movimento de Teatro de Grupo
Fórum Mineiro de Fotografia Autoral
Pontos de Cultura

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dá série: "Nerds também são bacanas"(ou "Vídeos Legais são sempre bem vindos")

Eu, que sou uma espécie de retronerd mutante old school, gosto muito de 'nerdice'. O tempo das antigas era mais true, mas a tecnologia avançada dos dias de hoje até que dá as suas tacadas. Nesse vídeo, o sujeito executa a música Cracklin Rosie, do Neil Diamond, com um apetrecho bem engenhoso, formado por dispositivos móveis: dois Androids, dois Windows Mobile e um iPod Touch. E isso é uma boa quantidade de 'nerdice' e tempo hábil. Ficou legal!



(via @rebatata)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Se um dia eu Chico fosse

"E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz. Mas agora, por favor, deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa. E qualquer desatenção, faça não, pois pode ser a gota d´água. Éramos nós, estreitos nós. Enquanto tu és laço frouxo. Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo que eu sou professor! Eu semeio vento na minha cidade. Vou pra rua e bebo a tempestade! Talvez o mundo não seja pequeno, nem seja a vida um fato consumado. Há de haver algum lugar, um confuso casarão onde os sonhos serão reais e a vida não. Deixa balançar a maré e a poeira assentar no chão. Pra se viver do amor há que esquecer o amor. Eis o malandro na praça outra vez. Caminhando na ponta dos pés como quem pisa nos corações. Minha cabeça de noite batendo panelas provavelmente não deixa a cidade dormir. Agora, falando sério, eu queria não falar falando sério. Chega de mágoa, chega de tanto penar. Me dê só um dia e eu faço desatar a minha fantasia”; aqui, nesse lugar:


Hasta el regreso.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

A espera (ou à espera)

Esperando pela indiferença é que pude enxergar a que ponto as coisas chegam. Na medida em que tudo se transforma percebo que somos capazes de sentir aquilo que sequer imaginávamos existir. Aquilo que nunca esperaríamos sentir. Aquilo que nunca quisemos ver existir e/ou esperar sentir. Ao que parece, são coisas da vida. Transformações engrandecedoras, crescimento involuntário, endurecimento do peito. Sim, coisas da vida, não? Bom também. Ruim também. Casos e acasos. Casos e descasos. Idas e vindas. Algo que talvez eu não tenha tato para controlar. É como diz o poeta em Pessoa: "o homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de não pensar". Fato é que não me reconheço em mim. Invulnerável e indisposto sigo sem ter onde parar. Estou me guardando para quando o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival chegar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010


Normais manhãs de outono em que acordo esperando a borracha do tempo passar. Está atrasada, mesmo sem ter hora marcada para chegar. Enquanto isso, troco idéias com o espectro do arrependimento, que poucas coisas boas têm para me falar. Anunciou-se a chegada de uma nova fase. Realizaram-se sentimentos ainda piores. Mas é aquela velha história, como dizia o Simonal. “Nem vem que não tem. Para virar cinza minha brasa demora”. Assim como a borracha do tempo, também sem consideração, que com a minha cara insiste em fazer hora. Não faz o que fala e não fala o que faz. Bom mesmo seria se ainda fosse há seis meses atrás.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma carta (ou sobre Clarice Lispector) [ou viva a Ucrânia!]


Querido casal,

lembrei-me daquele papo que tivemos (no Barnabé, entre umas e outras, se não me engano) sobre Clarice Lispector, João Ubaldo Ribeiro, etc. e tal. Ainda continuo preferindo o João Ubaldo, por achar ser um escritor mais completo, que trata de temas diversos que vão além dos paradoxos de nossa existência. Mas não é o caso desse escrito. Venho para lhes dizer que, nesse processo de recuperação, passagem e superação sobre o qual me encontro, resolvi reler o único exemplar que possuo dessa incrível mulher que, realmente, como poucos, soube escrever sobre o ser que somos. A Hora da Estrela, obra que tem como personagem principal uma nordestina de nome Macabéia, me serviu como um tônico vital, como néctar de vida, como um biotônico de inteligência. Além disso, me fez refletir e enxergar outras coisas que estavam embaçadas por sentimentos ainda entalados em minha garganta. Confesso que sofri. Sofri por me encontrar nessa situação e ler sobre os sofrimentos de uma personagem pela qual criei afeto; pela qual criei proximidade e bem-querer. Sofri por entender coisas difíceis de entender. Sofri por me sentir mal com as minhas perdas. Sofri por sofrer. Sofri por estar vivo, assim desse jeito. Sofri por ler uma autora sofrida e linda. Sofri por me sentir melhor que outras pessoas. Sofri por me sentir sozinho. Sofri por ter que deixar coisas para trás e ter de virar a página na qual queria que o livro de minha vida sempre estivesse aberto. Ou mais ou menos isso... Ainda assim, consegui enxergar coisas. Mais importante: consegui digerir coisas. Meu universo agora é maior. Compreendi com compaixão o que não era pra ser compreendido dessa forma, mas optei por assim o fazer. B me disse que pessoas como eu sofrem mais, mas são melhores e difíceis de se encontrar por aí. Na hora isso me causou muita revolta. Mas agora eu absorvo de outra forma. Sou assim, criado assim, crescido assim. Pobre são os egoístas, os rancorosos, os incapazes, os fujões, os covardes e os desonestos. Não que eles sejam pessoas ruins, como é possível de não serem, visto que pessoas boas possuem um ou outro “adjetivo” desses. Mas são menos felizes, ou passam por uma quantidade de momentos infelizes maior. Eu sei que não sou ninguém para dizer nada – e nem tenho essa pretensão -, mas com vocês me sinto a vontade para falar. Agradeço aos dois por me lembrarem essa autora estonteante (literariamente falando) que tanto bem - através de tanto "mal" - me fez. Sigo agora com cicatrizes, agruras que espero superar e com um livro da dita cuja debaixo do braço.

Um beijo e um abraço!

Ass: J.P.P.