terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

I should be a selfish thought


Por sentir em exagero é que, às vezes, peco por excesso. O que desejava comedido me sai em derrame. É a sina dos abastados do coração; dos que pensam em si depois. Não que seja isso uma coisa ruim. Acho que não. Apenas é passível de análise. É até quase que obrigatório refletir sobre o fato de um sentimento bom ter que existir com limites, pelo menos em certa quantidade de períodos. Certo estou é de que algo ruim não deve ser alimentado com fartura. De resto, sei que pouco sei; sinto que o coração bate por si só - em batimentos hipertensos, sobretudo quando algo se exagera. Por vezes, pense primeiro em você mesmo sem remorso, sem penitência. Não queira sem antes se querer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estréia no Blog Keep Rocking


Como havia dito num post recente, passei a integrar a equipe do blog Keep Rocking, hospedado pelo Correio Web, portal online do jornal Correio Braziliense. Ontem foi ao ar a minha primeira colaboração, um texto sobre Brian Eno, uma apresentação desse versátil artista que quase ninguém conhece ou não reconhece seus méritos devidamente. E pretendo manter as minhas publicações por lá nessa mesma linha: falar de coisas das quais as pessoas não conhecem, de coisas obscuras no universo em questão. O blog já nasceu demasiadamente quadrado, por isso quero colocar um pouco de novidade por lá.

O resultado desse primeiro momento não foi tão satisfatório. Primeiro porque faltou dizer muita coisa sobre o Eno, tais como enfatizar mais um pouco o Another Green World, por exemplo, por ser a transição - e por sua vez - o ponto de equilíbrio entre o ambient e o rock and roll; o pop e o experimental, como bem disse o amigo-fã Bruno Bueno. Poderia, também, dar mais destaque ao trabalho de produção e criação (bem atrás das cortinas) junto com dois dos maiores ícones pop dos anos 80: o U2 e o Talking Heads. Mesmo não gostando tanto nem de um e nem de outro, essas bandas são consideradas "seminais" para a tal década e é impressionante que a gigantesca influência do Eno seja tão pouco noticiada pelo mainstream. Além, obviamente, de destrinchar um pouco mais sua passagem pelo Roxy Music e sua parceria com o Bowie.

Porém, o texto já estava ficando muito grande, tanto que, mesmo assim, a edição o estuprou; prática normal nesse mundinho nojento do jornalismo. Mas oportunidades certamente não faltarão.

Enfim, a matéria está lá. O blog ainda precisa ser revisto em vários aspectos. Mas todo início é assim mesmo. E contamos com todas as opiniões para aprimorar tudo o que for necessário. Acessem e confiram. Para tal, basta clicar aqui. E sigam o blog também no twitter.

Além das boas vindas introdutórias que escrevi no texto, o editor também cortou o link para o disco que disponibilizei. Portanto, baixe-o aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Metal kick your ass!

*Foto: Luciano Trevisan

No último fim de semana fui a São Paulo com um único intuito: assistir ao show do Metallica, a realização de um sonho que existiu durante certo tempo da minha adolescência e ressuscitou agora no início de mais uma década. Apesar de a banda ter acabado – na minha opinião – no início dos anos 90, depois de seu quinto trabalho, achei que valeria a pena fazer valer a efetivação desse sonho. E de fato valeu, foi um bom show.

Confesso não mais ouvir tanto o clássico thrash que o Metallica fez (e voltou a tentar fazer) e outras coisas do estilo. Quando se trata de som metal, tenho escutado algumas bandas mais contemporâneas, que mesclam esse estilo com outros, como o jazz e o prog, por exemplo. Todavia, sempre que ouço me agrada. Afinal, é música de boa qualidade e que levou a banda a ser uma das dez maiores do planeta, apesar das porcarias pop que estragaram a segunda metade de sua carreira.

Fui em esquema bate-e-volta, numa excurssão com uma galera de BH e Divinópolis. Um pessoal fã, bem mais fã do que eu. Foi bacana sentir o entusiasmo da galera em ver seus grandes e velhos ídolos, foi até contagiante. Mas desembarquei em São Paulo assobiando e cantarolando músicas do Brian Eno, The Kinks e Little Feat; uma atmosfera bem diferente. Almocei, encontrei amigos, bebemos cerveja e fomos para o Morumbi. Tudo com muita diversão!

Eu queria muito assistir ao show. Essa turnê é composta por músicas da fase áurea, que engloba os discos Kill 'Em All (1983), Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986) e o ...And Justice for All (1988), além de músicas do frustrante e mais recente trabalho: Death Magnetic (2009). E assim o foi. Teve ainda a abertura da mineira Sepultura, um mero coadjuvante naquela noite e que em nada interferiu. Com um set list fraquíssimo, não fedeu e nem cheirou.

Os pontos altos do show foram as execuções de Master of Puppets (melhor música da banda presente no melhor disco da mesma, na opinião deste que vos escreve), Blackened (uma canção perfeita) e Stone Cold Crazy, do Queen, que compõe o bom disco de covers intitulado Garage Inc., e toda a pirotecnia do espetáculo. Ponto negativo? Sim, teve também. A execução da chata Nothing Else Matters e a não-execução de Welcome Home (Sanitarium), uma que não podia faltar e faltou. Poderiam, perfeitamente, ter trocado uma pela outra.

Em suma, valeu muito a pena. Eles estão, sim, fora de forma. O Lars está tocando pior do que sempre tocou, o vocal do James já não tem mais vodka (se é que me entendem), o Kirk (excelente guitarrista) usa mais pancake (ou duocake, ou pó compacto, ou sei lá...) que a Hebe e o Trujillo, mais novo membro da banda, não é um Jason Newsted, apesar de compor bem o grupo. Mesmo assim, fizeram uma apresentação com pegada e entusiasmadamente memorável.

Na volta para casa, continuei assobiando e cantarolando. Dessa vez, músicas novas do Otto, músicas velhas do Neil Young e melodias progressivas de Van Der Graff Generator.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Novidade


O Correio Web, portal on line do jornal Correio Braziliense – veículo integrante do grupo Diário dos Associados e terceiro maior jornal do país – hospedará uma novidade bem interessante dentro em breve. Trata-se do Keep Rocking, blog especializado em música, mais especificamente em rock and roll e seus vários subgêneros, provindos de um esquartejamento quase que constante do estilo. Tudo isso, sem pretensão de se prender a nenhum rótulo específico. A principal ambição, todavia, será criar um ambiente completo e diversificado, uma garagem virtual que se apresenta como um novo ponto de encontro para o público apreciador dessa boa música; principalmente, obviamente, para a galera do Distrito Federal, posto que se trata de um veículo local daquelas bandas.

Entretanto, isso não impede o intercâmbio cultural e de informações interessantes com outras localidades. Óbvio e ululante, já que estamos tratando de internet. Tanto que, para isso, muito honradamente, recebi um convite - através do meu amigo e candango comtemporâneo Lucas Buzatti - para integrar a equipe que irá gerir o blog. Fiquei muito satisfeito, pois vou unir três coisas de meu total apreço (música, jornalismo e internet), e aproveito este límpido espaço para agradecer mais uma vez.

O blog será composto por algumas sessões que englobarão informações, dicas, coberturas, artigos, críticas e debates acerca de temas (novos e velhos) ligados aos mais diversos filões que o gênero engloba. Além disso, é uma maneira sutil, porém totalmente válida, de tentar fomentar a cena local e estimular a formação de novas bandas, novos festivais e novos pontos de encontro e de canais de informação. E eu, daqui de BH, tratarei de abordar a cena mineira também, com as poucas coisas boas (infelizmente é verdade) que por aqui andam aparecendo.

O mais interessante é o fato de se tratar de um canal abrangente, ‘englobador’. Vejo por aí muita coisa direcionada e específica; não que não seja válido, de jeito nenhum, mas algo assim mais abarcante creio que seja mais produtivo, tanto para quem produz quanto para quem lê. Além da música, o perfil do blog nos permitirá tratar de assuntos igualmente interessantes diretamente relacionados, tais como o cinema, a fotografia e a literatura, por exemplo. E um canal de interatividade, como não poderia deixar de ser, certamente existirá.

O blog também terá a colaboração do estagiário brasiliense Luís Sardenberg e tem estréia prevista para o mais rápido possível! Vale ressaltar que o site também dará espaço a colaboradores que quiserem abraçar a idéia, tanto para outros jornalistas, do DF ou de fora, quanto para internautas. Assim que puder, volto com mais novidades e espero já lhes apresentar a cara do mais novo filho.

Keep Rocking!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti (ou do lugar que desconhecemos)



Não bastasse ser um povo fudido por guerras, revoluções, tomadas e retomadas de poder, já tendo seus direitos humanos subsidiados por Espanha, França e Estados Unidos, respectivamente, ainda sofre com desastres naturais. A Ilha Hispaniola (da qual o Haiti faz parte), foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1492. Já no fim do século XVI, quase toda a população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos conquistadores. Mas a magnitude do atual fato é inimaginável para nós. Aliás, parece que tudo que acontece acima do Oiapoque é absolutamente ignorado por nós.

Andar pelas ruas e descobrir corpos, pois até os hospitais desabaram, parece ficção.
Não há muito o que escrever sobre esta ilha. As imagens que nos chegam são mais brutas que qualquer palavra. O que nos resta é agradecer pela já cantilena afirmação de não-vulcões, não-furacões, não-terremotos e aguardar mais um ressurgimento desse povo que parece viver entredentes, herança africana, com um peito e cabeça que, apesar de relutantes em reverenciar mais uma desgraça, acostumaram-se a ela.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

7 filmes de 2009


Por se tratar de uma lista mista, com filmes nacionais e estrangeiros, não me abstenho a acrescentar que esta também é relativa. Os filmes aqui citados se sustentam por si próprios. No entanto, cito-os apenas porque os vi, todos, e dentre os outros também apreciados estes foram os que mais me chamaram a atenção. Dito isto, "Bastardos Inglórios" poderia ter entrado, se não fosse de Tarantino (leia aqui). Em frente, não os comento ou cito em ordem pois daria muito trabalho definir o 3° do 4°, o 5° do 6°, e assim por diante. Além disto, esclareço que embora alguns filmes citados tenham sido lançados em 2008, suas estreias no Brasil só se deram em 2009.

Uma lista amiga, dessas por vezes desnecessárias, que argumentam tautologicamente sobre (in)discussões opinativas. Mas que se fazem pertinentes tendo em vista o balanço das produções do ano passado que, infelizmente, foram aquém de 2008 e 2007. Para desencar(re)go, "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele e "Feliz Natal", de Selton Mello, são filmes chatos, embora bonitos. E sinceros, embora inexperientes. Cito ainda “Tony Manero”, de Pablo Larraín, e “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet. Maduros, mas não entre os melhores.

Ainda em tempo: se houver outros filmes, atentem-me, pois minha memória ultimamente anda sim com as pernas, mas também com bengalas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Highlights


Num estilo totalmente Nick Hornby com o seu Rob Flemming, um dos melhores personagens já criados na opinião deste que vos escreve, eis-me aqui para o primeiro post do ano. Em uma maneira inteiramente High Fidelity (1995), mas sem os conflitos de Rob, cá estou para listar o que de melhor foi feito no universo musical em 2009. Isso tudo, obviamente, no humilde julgamento desse aspirante a escritor e crítico musical de quinta categoria.

O ano velho foi um ano estranho, musicalmente falando. Essa ‘modinha’ de música composta por barulhinhos eletrônicos pegou de fato, e vem irritando bastante. É aquela música pra se escutar em fones de ouvido, como diz um amigo meu. Modernete, por sinal. Apesar da situação periclitante e ‘cataclismática’ da música, uma hecatombe de porcaria moderna eclodindo, muita coisa boa foi feita, claro. Com muita qualidade. Inclusive entre essa galerinha do ‘modernê’. Dando fim ao falatório, vamos ao que interessa: o TOP 7 Discos do Ano do Um que Faltava, nas palavras deste que vos arrota.

Para não fazer com que fique chato e lento, vou me abster de tecer comentários, até porque seriam pessoais em demasia, o que acho inadequado.

1 – Crack The Skye – Mastodon

2 – Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures

3 – World Painted Blood - Slayer

4 – Veckatimest - Grizzly Bear

5 – Blue Record - Baroness*

6 – Wrath - Lamb of God

7 – Fall Be Kind - Animal Collective**


* Creio que vale frisar que a banda Baroness entrou neste top justamente no momento em que eu o escrevia. Apesar de ter conhecido o disco quando já era 2010, ele merece estar aqui. Podem ter certeza e podem conferir.

** Quero ressaltar que o Animal Collective está presente mais para completar o top do que qualquer outra coisa. A banda lançou o fraco e chato Merriweather Post Pavilion no primeiro semestre de 2009. Algo muito experimental, cansativo e sonolento. Mas é preciso dizer que apesar de eu não curtir o som dos caras, reconheço a qualidade e o destaque. Tanto que resolvi listar aqui o Ep que eles lançaram quase no fim do ano. Tem apenas cinco músicas, o que facilita bastante a apreciação, pois quando começa a ficar chato o disco acaba. Tem um sampler autorizado e único do Grateful Dead e a música do encerramento é muito bem elaborada.

Obs.: Gostaria de fazer uma 'menção honrosa' a um trabalho muito bem feito e também lançado em 2009. Apesar de o som não ser nada nacional, a banda é 'brazuca' e daqui de BH ainda por cima. Trata-se dos amigos e pródigos rapazes do Avoid the Pain, que lançaram o segundo disco de trabalho 'Death Bullets Dead End'. Os caras mandaram bem!

Agora só nos resta aguardar pelas preciosidades sonoras deste ano. Claro que haverá muita coisa ruim, mas tomara que também tenhamos novidades de TV On the Radio, Fleet Foxes, Paul Macca, Opeth e outras maravilhas do milênio. Um bom ano aos ouvidos de todos!